Esta folha branca na minha frente
promete estar embebida de você ao final.
Mal ela sabe sobre ti, mal ela sabe se és real,
nem eu mesmo sei o suficiente
mas é o bastante.
Quanto tempo dura este instante?
Quantos amanhãs cabem nessas almas?
Temos tempo, tenhamos calma.
Temos almas e todo Tempo haverá de ser tempo.
Esconde-te ainda atrás desta janela mal iluminada,
só que este céu no teu teto
invade o alvorecer do meu dia,
eu o recebo de braços abertos
e sei que não falta mais Nada.
Tento saber deste algo que enfrento,
a resposta, escondida numa urna
me impele a pular neste mar.
Eu quero mesmo é me molhar
nestas águas ainda turvas.
Filipe Torresi Rissetto, 24/12/2009